Ronaldo Alfredo – BRAZIL
Estava em consulta para aumentar o grau das lentes, quando o médico tapou o olho direito. E vi com a vista esquerda um borrão, uma bola preta.
Que providência tomei? Consultei um oftalmologista amigo meu, e ele me orientou para procurar um médico neuro oftalmologista, resultado: no exame clínico foi detectada degeneração macular relacionada á idade. E ele pediu uma retinografia fluorescente e colorida, para confirmar o diagnóstico. E disse: “Você nunca vai ficar totalmente cego”. Isto aconteceu em janeiro de 2000.
Desta data em diante, comecei a conversar com meu coração. O primeiro conselho: aproveitasse o que restava.
Todas as experiências vividas... Neste ano eu completava 69 anos.
As primeiras deficiências: dirigir a noite ou quando está sol e entramos em um túnel, ou ao anoitecer, tudo isso incomoda. Até o dia em que você lembra de quem não se vê nada. Uma oração diz: “Seja feita vossa vontade”. Não posso mais dirigir e sai da concessionária com que restou? Afora sou um usuário do transporte coletivo.

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RONALDO ALFREDO
Pergunto ás pessoas que estão esperando o ônibus: “Por favor, pode me avisar quando chegar tal ônibus?” Aí ela me responde: “Está vindo meu ônibus...”. E eu digo: “Não tem importância peço para outra.”
E a leitura de livros? No começo tudo bem, mais adiante o uso da lupa e por último solicitar ajuda. E hoje os CDs.
Para a TV, o teatro, o cinema? Hoje uso um binocular. Resolve? Quebra o galho.
E usar o cartão do banco para operações bancárias, ver o extrato de sua conta... Difícil.
Nos mínimos detalhes do dia a dia. Colocar um plug na tomada, Colocar pasta de dente na escova. Cortar unha.
E atravessar a rua... Por favor, pode me ajudar?
Enfim que restou? Restou a vontade de viver, de servir. Como a vida é bela, sinto o perfume das flores. Sinto que posso progredir.
Obrigado a todos que me ajudaram, que me ajudam e que me ajudarão.

